Coluna de Afa Neto: EXCEÇÕES QUE VIRAM REGRAS. #lsp

Coluna de Afa Neto: EXCEÇÕES QUE VIRAM REGRAS. #lsp


Exceções viram regras. Acontece com relativa frequência na história. E toda vez que acontece causa muito desconforto e demanda muita habilidade para saber lidar com a nova realidade. Exceções são tratadas com concessões; regras fazem concessões. Os atores ainda existem, mas os sujeitos mudam. Lá no capítulo 15 do livro de Atos dos Apóstolos tem um relato sobre uma dessas viradas da história. O cristianismo judeu, que era a regra, percebe que o cristianismo gentio, que era a exceção, já não podia mais ser tratado como tal. As conversões de Cornélio e do eunuco ficaram para trás como fatores inusitados e “pontos fora da curva”. As tais adesões de não judeus às Boas Novas anunciadas pelos discípulos começaram a pipocar em todo canto do império romano a tal ponto que tinha ilhado o núcleo judeu inicial. A exceção agora passava a ser a existência de um judeu cristão e não de um gentio cristão. A partir daí todo um arranjo precisou ser alinhavado para fazer frente à nova realidade. Os critérios validadores da experiência do sagrado são revistos. Não mais os aspectos externos e estéticos da circuncisão, dos trajes, etc; mas a subjetiva e íntima presença do Espírito Santo na vida das pessoas. “Eles receberam o Espírito Santo assim como nós” disse o apóstolo Pedro naquela que seria sua última cena protagonizada no relato de Lucas. Nada da visão simplista, reducionista e, portanto, preconceituosa do “nós” e “eles” que faz de mim e da minha visão de mundo o cânon da verdade. Quem pensa como eu penso é do bem, quem pensa diferente é do mal; quem está comigo é de Deus, quem está contra mim é do diabo. A fronteira entre o “nós” e “eles” é devassada e agora tudo é Dele. Tiago, o irmão do Senhor e líder maior na igreja em Jerusalém, recorre às Escrituras judaicas lançando um novo olhar sobre elas. Vê o que ninguém tinha visto, seguindo o exemplo do seu irmão mai velho. Onde a tradição interpretativa via exclusivismo, Tiago enxergou um chamado divino para o acolhimento. A própria decisão daquele Concílio deixa entrever a tônica da nova realidade. Nem permissividade nem regras amordaçadoras. O que se estabelecia era a difícil, mas imprescindível busca da Liberdade Responsável. As regras do meu arranjo cultural são válidas para mim, não necessariamente para você. E vice-versa. Mas em tudo deve haver o respeito e o cuidado pelo outro. Antes disso outros momentos testemunharam esse fenômeno e depois dele outros tantos foram vividos. Algo me diz que estamos às portas de um desses momentos…

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