Cortesia da pandemia entre adversários na BA termina antes do início da campanha oficial


A campanha ainda não começou oficialmente, porém qualquer cortesia que tenha durado ao longo da pandemia já foi deixada de lado entre os atores dos principais grupos políticos baianos. As provas disso são o requerimento de CPI da aquisição dos respiradores, pela oposição, na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), e a resposta de bate-pronto do governador Rui Costa, sugerindo a investigação da montagem do hospital de campanha do Wet pela prefeitura de Salvador, à época sob a administração de ACM Neto. Mais do que o acirramento dos ânimos, os dois exemplos mostram que limites cavalheirescos devem ser quebrados quando a corrida começar formalmente.


Sem entrar no mérito policialesco dos dois episódios, o que os dois lados deixaram claro nesse interim é que, politicamente, é válido até remexer temas que consideram delicados para o adversário. A ação da Polícia Federal na Operação Cianose tem contornos políticos, mesmo que todos os envolvidos diretamente na execução sugiram o caráter técnico dela. Em ano eleitoral, muito tempo depois da matéria “subir” para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), é natural que os alvos acusem o uso político da máquina nesse processo. E, durante uma campanha, infelizmente, a verdade não necessariamente prevalece, o que abre margem para ataques sem fundamento real.

O mesmo acontece na questão do hospital no Wet. Quando o assunto veio à tona pela primeira vez, o então prefeito ACM Neto rechaçou irregularidades, mas ainda assim os adversários fizeram uso político do tema. É parte da estratégia: desconstruir os adversários por meio de meias verdades e depois lidar com os dividendos eleitorais. Para quem acompanha o dia a dia da cena, não é difícil reconhecer aproveitadores desses momentos. O problema é que, disseminado em larga escala e sem uma resposta equânime, fica difícil reparar eventuais estragos causados na imagem alheia.

Como essa campanha promete ser uma das mais acirradas da Bahia nos últimos 30 anos, é provável que situações como as vivenciadas essa semana, de tensão entre governo e oposição, passem a frequentar o noticiário. Toda figura pública tem telhado de vidro e, desde agora, as campanhas terão que prever estratégias para redução de danos para evitar que a própria disputa eleitoral não fique em segundo plano. Sob o risco de benefício exclusivo de João Roma, único candidato que não possui histórico de gestão dentro da Bahia - e com acesso pleno à máquina federal, capaz de arranhar a imagem tanto do grupo de ACM Neto quanto de Jerônimo Rodrigues.

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