Morro do Chapéu: Candidatas tentam representar "nova política" na cidade.


Com um histórico de ex-prefeitos atualmente inelegíveis, enquadrados na Lei da Ficha Limpa, Morro do Chapéu presencia uma disputa em 2020 com três candidatas que se apresentam como representantes da "nova política". A advogada Juliana Araújo (PL), a vereadora Professora Sheila (PT) e a agricultora Antonia Souto (Patriotas)


Sem o frescor das candidaturas femininas, Dr. Cláudio (PSL) aproveita o capital político e, mesmo sem aparecerem juntos publicamente, tem o aval do atual prefeito Leonardo Dourado (DEM), que sofre com a rejeição na cidade.


Apontada como favorita, a vice-prefeita Juliana Araújo (PL) rompeu com Léo Dourado (PSL) ainda em 2017, e tem ao seu lado a força do pai, o ex-deputado José Carlos Araújo, cacique da sigla no estado e principal cabo eleitoral do próprio Léo na eleição de 2016. O vice na chapa é o empresário Vitor Araújo (PDT), na coligação que conta ainda com o Democratas, MDB, Podemos, PSDB, Solidariedade e PTB.


Em conversa com o BNews, a candidata alegou ser um novo nome na política e diz que nunca fez parte da atual gestão. Ela disse ter sido deixada de lado na transição e que nunca teve voz ativa durante o mandato de Léo Dourado.


"Apesar de ter um pai com 40 anos na política, eu tenho a minha personalidade. Na hora que eu me eleger, eu vou ser a prefeita. Sou advogada, sei a consequência dos meus atos, entrei na política agora, como não posso ser o novo? Meu vice também, nunca foi nada na política, ligado à agricultura familiar", destaca Juliana, que celebra o apoio do "prefeito do povo", o ex-prefeito Aliomar Rocha, o Cuinha.


A candidata tem também o apoio de uma figura conhecida em Morro, o ex-presidente da Câmara Municipal, o vereador Beto (Avante), multado em 2016 pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) por irregularidades em contratações de servidores. 


Na última eleição, Beto, então do PSL, disputou com Juliana, vice na chapa de Léo Dourado, e teve o apoio do então prefeito Cleová Barreto, um dos poucos a se reeleger em Morro do Chapéu. Apesar dos dois mandatos, Cleová teve passagem polêmica. Dentre outras acusações, foi alvo de denúncia por improbidade administrativa por má gestão de recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).


Apesar da tentativa de descolar da figura do prefeito, que chegou a ter o afastamento pedido pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e corre o risco de ficar inelegível por denúncia de crimes de peculato, apropriação indébita e desvio de recursos públicos, o médico Dr. Cláudio (PSL) também conta com parte do apoio dos moradores da cidade.


A candidatura do PSL teve também o endosso do DEM, que inicialmente estaria fechado com a candidatura de Juliana. O partido chegou a destituir a comissão formada por 13 pré-candidatos a vereador na cidade. Oficialmente, contudo, a coligação conta com o PSB, do vice Itamar, e o Avante.


Com trajetória no movimento sindical, a professora Sheila, tenta, declaradamente, se apresentar como uma representante de um modo novo de se fazer política na cidade. Após duas campanhas eleitorais em cima de uma bicicleta, ela quer multiplicar os quase 800 votos recebido na última eleição para ocupar a vaga na prefeitura de Morro do Chapéu e quebrar a tradição de poder familiar que se perpetua no município.


"O poder aqui é passado de pai para filho, tio para sobrinho, agora de pai para filha com o ex-deputado tentando imprimir a filha como prefeita, se utilizando de uma herança política-eleitoral com grupos que hoje ele combate. É o mais do mesmo. A polarização é só um projeto para manter no poder, já que lá na frente se juntam de novo", acusa a candidata do PT.


Como vice na chapa, ela conta com Laércio Jordão, o Lebrão (PP), na coligação que tem ainda o PCdoB e o Rede.


Com menor expectativa, Antonia Souto também oficializou candidatura pelo Patriota, junto com a vice Gildete Aragão, em uma chapa "puro-sangue". A falta de coligação, segundo ela, é resultado da recusa em participar de negociatas com outros partidos, o que a acredita ser um diferencial como postulante. Agricultura, deposita no agro e no turismo a esperança de ter um município desenvolvido.


Sempre vinculada a associações de bairro, a candidata do Patriota diz ser uma combatente da desigualdade social. Ela enxerga uma "crise moral, política e econômica" em Morro do Chapéu, resultado de gestões desastrosas. "De 2000 para cá, Morro merecia uma intervenção estadual", dispara.


A representante do Patriotas quer retomar obras que, segundo ela, foram financiadas pelo Governo da Bahia, mas estão paradas devido à má gestão do atual prefeito.


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