Presença feminina no mercado de trabalho de TI Área apresenta desafios para as profissionais.


Sem dúvida alguma, a pandemia de covid-19 trouxe uma série de desafios para os profissionais no mercado de trabalho. Porém, uma das categorias que mais sentiu esse impacto foi a de mulheres que exercem atividades na área de TI.


Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), apenas 20% do total de profissionais no setor de TI é mulher e, apenas uma em cada dez, está em cargo de liderança. Para Daniela Vieira Cunha, diretora na Faculdade de Computação e Informática (FCI) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), "as meninas são menos incentivadas a estudar a computação e seguir essa carreira, em comparação com os meninos. Aquelas que decidem pela carreira de tecnologia, desistem do curso técnico ou da graduação logo no início pela resistência e por barreiras que precisam enfrentar (de colegas e professores)".


Daniela ressalta que muitas vezes, mesmo que as mulheres sejam insistentes, inevitavelmente passarão por situações que precisarão provar que são capazes de resolver problemas, que possuem habilidades e competências e são capazes de competir de igual para igual.


Para Miriam Rodrigues, especialista e professora da área de gestão de pessoas e comportamento organizacional, isso é um reflexo da "vida real", já que estereótipos e preconceitos existem e persistem. "Ainda que gestores e empresas defendam um discurso de igualdade, na prática, o que percebemos é que as mulheres são colocadas à prova a todo momento, e, em muitos casos, além do necessário", afirma.


Dessa forma, os resultados de uma pesquisa realizada pela Kaspersky com a Arllington Research com 13 mil profissionais em 19 países, dos quais 500 eram brasileiros, apenas reforça o que já é conhecido na área, só que com um novo agravante: a pandemia de coronavírus. Para 40,4% mulheres entrevistadas, as mudanças impostas pela pandemia podem ser responsáveis por atrasar o desenvolvimento profissional delas - ou seja, mesmo que o mercado de TI esteja aquecido por conta do boom da utilização de diversos serviços tecnológicos, quase metade das mulheres vê um cenário nebuloso pela frente.


Outro ponto analisado pela pesquisa é o home office, que apesar de ser visto com bons olhos por 42,6% dessa mulheres, o lado negativo está na sobrecarga de atividades, já que 78% das profissionais brasileiras entrevistadas são responsáveis pela educação dos filhos, e 68% cuidam do trabalho doméstico.


Cunha concorda com essa visão. "O trabalho remoto permitiu uma flexibilidade de dedicação maior para que a mulher cuide dos filhos e das atividades domésticas e cumpra com os objetivos traçados na empresa, ao mesmo tempo que reforçou a importância do compartilhamento de tarefas pela família", afirma.


Liderança feminina no setor

Como observado por Daniela, a questão da liderança feminina no setor de TI também merece atenção. Muito disso se dá por conta da associação do conceito de liderança com a imagem masculina e em uma área que evidencia essa disparidade entre gêneros, impossível esperar algo diferente nos cargos mais altos.


Ademais, ela comenta que essa visão é antiquada, visto que "pesquisas de comportamento comprovam que as mulheres possuem as mesmas habilidades de liderança que os homens, ou até melhores. Portanto, se a liderança vai ter sucesso ou não, é necessário oferecer a chance da pessoa se provar no cargo.


Expectativa para o mercado de trabalho

Ainda sobre a pesquisa da Karspersky, Pollyana Notargiacomo, especialista e professora na área de tecnologia e educação, destaca que 56% das mulheres que responderam à pesquisa apontam que houve um crescimento da igualdade de gênero nas organizações nos últimos dois anos, assim como 69% destacam que há maior respeito às opiniões que elas tecem independentemente do gênero.


Essa visão otimista é reforçada por dados apresentados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que indica um aumento de 60% nos últimos cinco anos, apesar de ainda significar o baixo número geral. Contudo, essa presença reflete na mudança de comportamento geral da área. Ainda assim, Pollyana analisa que o balanceamento entre os gêneros de profissionais de TI requer a consideração da experiência e das instâncias que influenciam a carreira, para que seja possível às mulheres planejar e utilizar ferramentas para mitigar essas variáveis e ampliar a representatividade feminina em cargos decisórios de TI.


Ademais, para Daniela, "a tendência é termos um mercado igualitário em alguns anos. Mas desejamos que essa igualdade seja atingida o quanto antes. Com auxílio de empresas e do setor educacional hoje temos mais mulheres em cargos importantes em empresas e universidades na área de TI o que incentiva e inspira ainda mais mulheres a seguirem os mesmos passos", conclui.


Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil.


Informações

Assessoria de Imprensa Instituto Presbiteriano Mackenzie


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